chuvas e janelas
A chuva caia grossa.
O garoto olhava admirado, a vontade era de correr, arrancar o tênis e brincar na enxurrada que descia com a água da chuva.
Mas ele não podia, estava atrás da roupa de escritório, o sapato e a camisa, aqueles que espera-se que um adulto use quando vai para aquele lugar chato, todo santo dia, fazer sei lá o que.
O garoto não entendia muito bem o porquê de não poder ir lá fora.
“Chuva nunca matou ninguém, oras”, dizia mentindo.
Sabia que era mentira, mas era a única verdade a ser dita aquela hora.
Mentira.
A verdade é que não era mais um garoto, apenas o reflexo do que fora um dia.
Agora tinha que ir para seu trabalho, aquele lugar que não entendia antes o que era, mas agora, nem o parecia assim tão chato.
Bom…
Mais chato que descer na enxurrada na chuva, com certeza.
dezembro 19, 2011 às 9:23 pm
São Serennus e Alehgres lutando dentro da cabeça do sujeito.
Realmente, é preciso respirar de vez em quando, deixar-nos ter os pequenos prazeres.
dezembro 25, 2011 às 11:56 am
lindissimo texto…