Primaveras

Umas das possibilidades de ter visto cada vez mais primaveras é a chance de se experimentar sentimentos diferentes.
É engraçado imaginar que existem sentimentos que a gente ainda não conhece, ou por nunca ter sentido ou por ser um sentimento mais abstrato que os famosos amor/ódio, alegria/tristeza.

Uma das coisas que lembro bem da minha velha cirurgia no joelho (eu ia procurar o link do histórico do Barraco, mas fica p próxima. rsrsrs) foi o que sentí com a tal anestesia na coluna.
E digo, não foi nada bom.

Lembro de já estar um pouco tonto pelo Oxigênio (acho q era isso) q estava inalando…
Me posicionaram sentado na ponta da maca apoiando o corpo contra uma enfermeira.
Lembro dela dizer q tudo ia ficar bem, que seria rápido e apoiar minha cabeça de forma maternal. Sim, na hora, ainda que grog, também achei estranho.
Foi quando sentí, uma picada nas costas, um frio que subiu pela coluna e o pior de todos, um sentimento arrebatador de tristeza.
Não dá p explicar. Na verdade, sempre q conto isso parece q simplesmente não tem como reproduzir em palavras o sentimento.
É algo profundo, gelado e escuro.
Só me lembro que aquela enfermeira me dando suporte era tudo o que eu queria no momento.

Mas, por sorte, durou pouco. Logo me deitaram novamente na maca e em alguns segundos eu dormia o sono dos justos.

O outro sentimento “novo” que tive foi a uns poucos anos.
É uma coisa absolutamente banal, na verdade, mas foi um tanto quanto divertido pensar nisso depois.

Estou lá eu, dentro do ônibus diário, numa manhã quente com o ônibus lotado, assim como todos os dias, subindo a avenida.
Fone de ouvido bem colocado, tento não pensar no ônibus, fico só observando o exterior, me concentrando na música.

Quando de repente, não mais que de repente, eis que avisto um carro andando no meio do tráfego intenso matinal, sem motorista.

Durou milésimos de segundos mas saiu bem do fundo.
Foi um sentimento de “alguma coisa está MUITO errada nesse mundo”.
Sei lá, como se alguma lei da física tivesse acabado de ser quebrada ou um sentimento de que acabara de perceber que estava vivenciando o sonho mais real que você já teve…

Bom, é claro que nada disso era a verdade, a verdade foi que o carro era só um veículo inglês com um motorista com péssimo senso de direção. Por que, sair da Europa e vir cair na roça brasileira tem que ser muito perdido mesmo.

Enfim, me divirto sozinho tentando recriar esses sentimentos, ainda que nunca consiga reproduzí-los na íntegra.
Mas não importa, por que enquanto tiver primaveras a serem vividas, haverão novos sentimentos a serem experimentados.

Pelo menos, é isso que eu espero.

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4 Respostas to “Primaveras”

  1. Sem brincadeira, dos que eu já li, foi seu melhor post.

    Um sentimento novo que experimentei foi quando assisti ao eclipse total do Sol, de manhã cedo. Tive algo como que um sentimento oceânico. Invulgar, inusitado, raro. Lindíssimo.

    A propósito, o seu cabeçaçho ficou ótimo. Melhor do que aquele Calvin apático que parecia um desenho de giz num quadro negro.

  2. :- | olha ele falando bunito aí. O site ficou uma belezinha seo leo, e já começa com post matador!

  3. Ei, acho que esses sentimentos podem ser descritos, sim: POP, hehehe

  4. Outra coisa: adorei o post, caramba! Você mudeou (pra melhor) sua maneira de escrever. Adorei o novo blog, ficou muuuuito bom!!

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