meu problema com a bebida – I

Eu confeço, sou abstêmio.

abs.tê.mio
adj. Que se abstém de bebidas alcoólicas. S. m. Pessoa abstêmia.

Não é nada grave, na verdade. Ainda que eu pareça pouco confiável aos olhos de alguns.
Sim… já encontrei pessoas que me olhavam desconfiados quando eu dizia que não bebo cerveja ou que nunca havia “tomado um porre”…

As vezes me perguntam se é por motivo religioso ou médico…
¬¬
Na verdade minha distância do alcool é mais uma questão biológica do que opção.
Meu organismo simplesmente olha pra esse tal de alcool e diz, “Unh… não, valeu. Tem uma coca aí?”

Apesar disso, já tive meus momentos botequeiros.
Sim, e porque não?
Aliás, como bom botequeiro, nunca curtí sair fim de semana. Um ótimo dia pra botecar é quarta e quinta. hehehe
Bebendo coca-cola, sempre.

O que me faz lembrar outra coisa, por que diabos, aqueles que tomam cerveja se sentem no direito de reclamar e esperniar se não tiver a marca favorita deles, mas eu não tenho quando não tem a minha marca favorita de refrigerante?
Não, refrigerante não é “tudo igual”.
Mas isso fica pra outra hora.

Toda essa introdução era só p falar sobre a degustação de vinho que eu participei recentemente.
“Mas você não era abstêmio, caramba!?” Você exclama. E eu respondo, sim, eu sou.

😉

É verdade que eu costumo experimentar bebidas. No fim das contas, acabo sendo inclinado a gostar mais de destilados.
Não sei se pela ojeriza (bem mineires essa) à cerveja, mas fermentados nunca me agradaram muito, nem mesmo os vinhos. O que eu sempre quis contornar. Afinal, em algumas situações sociais, apreciar um bom vinho é essencial.

E eu sempre esperei que a questão fosse esta, nunca agradei de vinho pois nunca experimentei um vinho bom de verdade.

Pois então, com minha amiga Sommelière, Gil me oferecendo uma degustação finíssima, não teve como declinar o convite.
Eis que o abstêmio foi bebericar um vinho “de autor”.
(tô aprendendo, Gil)
^^

Não, não foi desperdício de vinho, ora pois.
Como descrevo? Foi algo realmente novo.
É como experimentar algo pela primeira vez, como se nunca na vida eu tivesse sequer levado vinho à boca.
Sensações diferentes passaram por minha lingua e garganta, o famoso retorno de odor de alcool pelo nariz (o que mais me desagrada), praticamente inexistente.

Cenas de uma lareira, um tapete felpudo, um fundue me passam pela cabeça.
Pude entender, enfim, como uma simples taça pode mudar o aroma e paladar do que é consumido nela.

Orientados pela Sommelière, os convidados (nós) apreciamos cuidadosamente o aroma, a imagem e o paladar do vinho. Pudemos descrever sem medo ou culpa, todas as sensações que sentimos, cada lembrança, cada percepção que sentíamos ao experimentar o vinho. Percepões degustativas de similaridade de aromas e paladar foram abertamente desfiadas.
De fato, existe uma ponte imensa entre o beber e o degustar.

A porta para um mundo desconhecido foi aberta…

É claro que não terei tantas outras oportunidades para experimentar vinhos desta categoria, até lá, provavelmente ficarei na minha estimada coca-cola com limão.

Mas a vontade de beber um vinho em um bistrô francês numa manhã preguiçosa de domingo ficou… ah, como ficou.

Sim, posso me acostumar com isso.

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2 Respostas to “meu problema com a bebida – I”

  1. Pois é, do último post da Gil, somado a sua experiência aí descrita… mas, pensando bem, talvez qualquer coisa que se leve à boca deva ser saboreada assim… lembro de Rattatouille.

    Uma vez o marido de uma tia do meu pai tentou me fazer saborear um vinho chique. Não consegui. Talvez tenha me faltado uma sommelière do naipe de Madame Vesolli.

  2. Ahhh, que lindiuuuuuuu! Adorei seu post, MESMO!

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