Sempre Alerta!

festa junina-2009

Acabo de botar fogo em mais uma pequena pilha de folhas secas que aos poucos vou tirando de meu quintal.

Um pouco pelo meu lado piromaníaco (sim, ele existe), um pouco pela falta que algumas coisas me fazem na vida.

Uma dessas coisas é exatamente uma fogueira queimando na noite.
Uma fogueira ao lado de amigos, e possivelmente assando algumas batatas enroladas em papel alumínio.

Momentos como os de hoje, me levam diretamente ao tempo em que fui escoteiro.
Sim, amigos. Alguns podem achar estranho mas boa parte da infância e adolescência deste que vos escreve foi de uniforme caqui (e antes disso, azul marinho).

Foram pelo menos 8 anos junto do movimento escoteiro. Oito bons e longos anos.

Creio já ter falado por aqui, esta minha tentativa de reater algumas coisas que me agradam e que por algum motivo foram esquecidas no passado.
Esquecidas não, apenas deixadas de lado.
Aquilo que nos é importante de algum modo,  acho que nunca esquecemos de verdade.

Confesso que esqueci da maior parte dos nós de amarra que aprendi.
Acho que também não devo saber mais todos os sinais de pista que sabia.
Provavelmente ainda me lembro como fazer uma tipóia ou como identificar uma cobra peçonhenta de uma não peçonhenta. (com um pouco mais de esforço, o que fazer se for picado pela primeira)

Ainda trago comigo aquele sentimento de algumas horas de caminhada em fila indiana, de ir dormir moído de cansaço e ser acordado às 6 da manhã por um apito e ter apenas 15 minutos para se apresentar com uniforme impecável.
Ou a sensação de dividir histórias de terror e confissões da vida, ao redor de uma fogueira que queimará a noite inteira e espantará o frio cortante comum quando se está longe da cidade e dos pais.
A sensação de confiança e camaradagem que tinhamos um com os outros. Aquela que é impossível de entender, se não teve pelo menos uma experiência semelhante na vida.

É, sinto falta de passar algumas horas da madrugada ao redor de uma fogueira.
Aquele dançar hipnotizante das chamas, o calor reconfortante, a surpresa dos estalos da madeira.

Em breve não terei mais muito o que queimar.
Terei que me contentar com a chama azul e controlada do fogão, ou esperar as festas de São João do próximo ano, e ter  a sorte dos amigos marcarem viagem ao sítio de um deles, para que possa, finalmente, me aquecer próximo de uma fogueira.

É estranho imaginar como algo tão simples, tão pequeno e aparentemente fútil como uma fogueira pode nos fazer tanta falta, ou nos representar tantas memórias.

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3 Respostas to “Sempre Alerta!”

  1. Êba, textos, textos!
    Entendo perfeitamente essa surpresa sobre coisas corriqueiras nos fazerem falta. Essas coisas evocam memórias de coisas muito importantes e são um túnel do tempo, não é mesmo?

  2. Bom dia:)
    Coloquei no google a palavra escoteiro e cheguei até aqui…e adorei ler seu texto.
    Sou chefe de escoteiros a 10 anos e relatos assim sempre tornam o trabalho voluntário q fazemos + gratificante ainda..saber q aquela chama q um dia esquentou os corpos com frio servem pra aquecer e dar um calorzinho bom no coração pro resto da vida…
    E…uma vez escoteiro…sempre escoteiro!
    um abraçõ.

  3. Oi, Sandra.
    Obrigado pela visita, é, as vezes esqueço que o Google traz alguns leitores incautos. hehehe

    Bom trabalho no movimento.
    Tenho saudade dele. =)

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