E se…?

Estava eu em uma pizzaria com dois novos amigos natalenses.

Curiosamente, ambos são de uma área que tenho pouco nenhum contato, bio-quimica/bio-medicina.
Também foi curiosamente satisfatório fugir de uma conversa da minha própria área, Humanas (ou Artes) de forma geral. Já que a maior parte dos meus amigos estão envolvidos nessas áreas de alguma maneira.

Tive a chance de fazer umas perguntas boas. Boas, do meu jeito: aquelas que cutucam a ferida, retiram a cutícula inflamada com os dentes, arranham lousa quadro negro com a unha…
E sim, fui satisfatóriamente respondido.

Ainda no assunto sobre carreiras, logo após lhes contar que escolhi a minha aos 14~15 anos, eis que surge a pergunta, não exatamente original, mas com um singelo e grave complicador.

“Qual a profissão, diferente da atual, você escolheria?”

Sou interrompido quando começava a gesticular aquele discurso ensaiado e repetido diversas vezes, quando o complemento me pega de surpresa: “Mas não na sua área, algo diferente do que você faz hoje.”

Algo diferente? Como assim?
Outra carreira, em outra área?
E agora?

Fiquei meio surpreso na hora e dei uma ou duas profissões, na verdade próximas ainda de minha própria área.
O assunto mudou e o papo fluiu pelo resto da pizza…

Pensei um pouco ao longo da semana, depois que os interlocutores já haviam ido embora e dificilmente eu teria a chance de retomar a conversa.
Pensei nas coisas que queria ser quando era criança, quando era adolescente e algumas até já depois de velho.

Pensei se eu tivesse ido para uma carreira desportista como corredor (velocista, claro), algo que gostava muito quando moleque (e antes do fatídico acidente com meu joelho).
Ou até, na carreira em um esporte coletivo, como Futebol Americano. (eu sei, só fora do país pra isso…)

Lembrei também do facínio do ar, dos aviões, da chance de trabalhar viajando pelo mundo.
A idéia de sequer ter uma residência fixa, mas conhecer uns lugares bons para se comer em várias cidades pelo mundo.

Foi divertido pensar nos diferentes “eus” que poderiam existir.
Mas não penso nisso como armaguras e arrependimento, pois tenho a certeza de que estou na melhor carreira que poderia escolher.
Penso só como uma forma divertida de criar histórias fictícias de nós mesmos.

E, quem sabe, não encontramos uma possibilidade que não tentamos, mas que ainda está em tempo?

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É claro que este post tem uma referência direta ao Versões de Mim do Luiz Fernando Veríssimo.

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Uma resposta to “E se…?”

  1. É como jogar RPG consigo mesmo.

    Há um episódio de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração em que o tenente-comandante Worf sofre um acidente e vai para um universo paralelo onde há uma pequeníssima diferença na continuidade das coisas, que ele mal consegue perceber. Mas ele então passa a mudar de universo de vez em quando, cada vez mais diferente do anterior. Em um ele perdeu um campeonato ao invés de ganhar, em outro é o capitão da nave, num terceiro ele é casado com a conselheira Troi, e assim por diante… ele vai vendo as várias possibilidades de si mesmo, dependendo de escolhas e da sorte. Lembrei logo desse episódio ao ler a ccrônica de Veríssimo (muito boa).

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