Arquivo para agosto, 2011

Redes Sociais, eu, você e o superego

Posted in idéias descabidas with tags on agosto 23, 2011 by Mr. T

A nova definição para Redes Sociais, são os websites que permitem algum tipo de interatividade entre seus usuários.
Na história do relacionamento virtual, possuir um perfil que resume em tópicos o que o usuário é e/ou gosta e uma imagem (avatar) que o representa, é algo bem antigo.

Então por que estamos, hoje, presos às redes sociais?

Por que aparelhos de celulares e televisores ganham adjetivos que indicam a qualidade “vinculados às redes sociais”?
O que nós, usuários e consumidores, ganhamos com isso?

Será, as redes sociais, a vitória do nosso superego? Aquele que viveu querendo aparecer, por sua carinha bonita no mundo mas nunca teve chance, pois em algum momento você tinha mesmo que tirar aquela fantasia horrorosa de carnaval ou cortar o cabelo e arrumar um emprego porque sua mesada está com os dias contados…

Numa conversa rápida hoje cedo, via chat do Facebook, chego na conclusão que os relacionamentos pessoais serão conhecidos no futuro por Ante e Pós Facebook.
E isso não é nenhum exagero.

Não é exagero dizer que nossos avatares são apenas a projeção do nosso superego, aquilo que realmente gostaríamos de ser, mas não podemos, seja por grilhões sociais, físicos ou morais.

Ninguém (ou quase ninguém) coloca uma foto feia no FB. Sempre escolhemos aquela mais bonita, com a melhor luz, possivelmente, aquela que tiramos em Veneza. Ah… Veneza…
A viagem foi uma bosta, hotel ruim, perderam sua bagagem no avião, ninguém fala sua língua e seu cartão de crédito não funciona.
Nada disso importa, vou tirar uma foto incrível em frente desse canal e estampar meu perfil. 😉
– Ficou ótimo, não ficou? Depois te conto da viagem, foi incrível.

Fora isso, continuamos com nossos velhos medos. O de não ser aceito na sociedade.
Tão velho quanto o próprio conceito de sociedade.

Vamos, sejamos advogados do diabo por um momento, qual foi a última vez que você adicionou alguém numa rede social e não tenha sido só para ter acesso à todas as suas fotos?
Heim, heim, heim?
Eu também não me lembro, fique tranquilo.

O ponto é que não sabemos mais usar uma rede social.
Não sabemos onde isso vai parar.
Não sabemos se é possível apagar aquilo tudo, se amanhã, você resolver mesmo cortar o cabelo e arrumar uma mulher pra casar.
Será que dá pra sair a tempo da comunidade “Eu quero um Ménage à Trois“? E tirar todas aquelas fotos do carnaval no clube da Portuguesa que foi marcado?

Não, não acho rede social o grande pecado da sociedade pequena burguesa, ocidental, meio direitista, meio esquerdista, meio mussarela.
Acho só que deveríamos tomar um pouco de cuidado, que as relações sociais vão além do clicar em “like” ou em “RT”.

Acredito no potencial delas e como mudou alguns hábitos de forma positiva.
Hoje, posso “cutucar” um amigo de infância e falar bobagem como se ele estivesse na sala ao lado.
Mas ainda assim, preciso de tempos em tempos de um abraço e olhar para os olhos da pessoa pra dizer o quanto ela é importante para mim, mesmo sem efetivamente falar algo.

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