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Não faça acordos com ingleses de sobretudo.

Posted in contos with tags on janeiro 6, 2009 by Mr. T

 

Bom, fiquei sem saber onde postava isso.
Ia postar no blog específico, mas como ficou com uma cara de conto (e eu gostei), resolví postar no blog oficialmente descabido mesmo.

É a história do meu mais novo personagem  de RPG, Magma.
O RPG é de super-herói, bem ao estilo história em quadrinhos. Pra quem conhece, o sistema é o Mutants & Masterminds.
O cenário é o mesmo da DC Comics. Achamos que ficava mais fácil visualizar e desenvolver as histórias nele.

Magma é um Controlador de Energia, dispara raios de fogo demoníacos das mãos e tem a capacidade de voar.
Vc’s podem saber mais sobre ele e a campanha de Supers no blog oficial do Mestre, aqui.

 

frank-giuliani1Filho de imigrantes italianos, Frank Giuliani cresceu em meio das atividades ilícitas da Família Giuliani.
Na adolescência, acreditava que iria herdar o controle da família, visto que era o mais próximo de seu pai e o mesmo não iria viver por muito tempo, não depois de cinco cirurgias cardíacas.

Contrariando o que Frank pensava ser “a ordem natural“, seu pai passou o controle dos negócios para o primogênito, ainda q o mesmo não tivesse, até então, nenhum contato com os negócios da Família.
Revoltado, Frank saíu de casa decidido a começar seu próprio negócio.

Contactou algumas pessoas e começou a agir nas proximidades de Metrópolis, a ascendente capital financeira.
Lidava com todo tipo de negócio ilegal, apostas nas corridas de cavalo, tráfico de bebidas e cigarros falsificados.

Na mesma velocidade em que se tornava conhecido no meio do crime, seu negócio ficava mais difícil e pouco lucrativo.
Boa parte do que ganhava era utilizado para comprar os policiais e fiscais do porto, além de bancar os capangas que precisava para efetuar seus negócios.
Alguns poucos policiais honestos hora ou outra ainda lhe davam algum prejuízo, prendendo algumas cargas de Whisky Macallan falsificado.

Tão rápido quanto ganhou, ele perdeu dinheiro.
Frank estava na merda.

Comprava roupas em brechós e comia em lanchonetes porcas. 

Após ser despejado pela terceira vez, teve que viver de pequenos furtos para pagar o aluguel do cortiço repleto de baratas de onde morava.Não havia outra solução, senão ir para o negócio de contrabando de armas, o que o tornaria concorrente de sua própria família.

Foi quando um contato de Gothan City lhe colocou em negócios com algumas organizações britânicas obscuras.
Em pouco tempo viagens à Londres se tornavam comuns no cotidiano de Frank.Os britânicos lhe abriram as portas para o comércio de artes sacras ilegais, mas muito valiosas.

Frank iria finalmente se dar bem em algo.

Foi em uma viagem de negócios ao Vaticano que conheceu um homem estranho, que lhe foi apresentado pelo nome de John Constantine.

Frank era feliz quando estava na merda e não sabia.

Os contatos conseguidos por Constantine sempre eram um tanto quanto obscuros na visão de Frank. Mais que as organizações que já lidava.

Muitas vezes, fazia negócios sem nem ao menos ver o rosto do interlocutor, o que o deixava nervoso e preocupado.

Uma noite, em um subsolo londrino, Frank estava com Constantine para encontrar um dos contatos mais misteriosos que ele tinha e, de repente, algo saíu terrivelmente errado.

Primeiro foi a sirene da polícia, depois tiros e a luz se apagou. Tudo ficou quieto.

Uma luz trêmula num aposento ao lado direcionou o olhar de Frank para a coisa mais estranha que teria presenciado até então, Constantine estava ao lado de um pentagrama desenhado no chão com algumas velas ao redor.

Frank não entendeu o que poderia ser aquilo, mas quando foi questionar o inglês, se desesperou com as lanternas, latidos de cachorros vozes que começavam a se aproximar pelos fundos. Sem pensar, correu para junto de Constantine. Foi quando as luzes, então trêmulas, aumentaram até ganharem o brilho de pequenos sois.

Tudo ficou branco.

Frank Giuliani foi mandado para o Inferno.

Andando entre rios de lava fervente e pilhas com centenas de cadáveres, passou três dias fugindo de criaturas que nem em sonhos poderia imaginar. 

Sem comer ou beber, passou quase 72 horas ininterruptas vendo atrocidades que os mais variados tipos de demônios faziam com as almas que apareciam por lá.

E foi no terceiro dia que, sem saída, enfrentou uma dessas criaturas.

Movido pelo desespero, de algum modo Frank conseguiu derrotar a criatura. Em meio a insanidade de sua alma tentou reproduzir o pentagrama que tinha visto naquela noite, com o sangue do demônio morto.

Tudo ficou branco novamente.

Ao abrir os olhos, viu o sorriso falso de John Constantine. Foi uma visão de segundos, até que perdesse a consciência novamente.

Quando acordou, estava em Metropolis, como se nunca tivesse saído de lá.

Ao passar dos dias as lembranças lhe soavam como sonhos desconexos.

Frank Giuliani sabia que não era mais o mesmo, não depois de Londres e Constantine.

Faltava descobrir quem ele era, afinal.

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